Skip to main content

Boas práticas para organizar e nomear fases

  • May 18, 2026
  • 0 replies
  • 17 views
vinicius.pereira
Community Manager

👤  Para todos os usuários
🔐  Disponível para todos os planos
🎯  Para quem já estruturou as fases e quer garantir que estão bem nomeadas e ordenadas

 

Nomear fases parece uma decisão cosmética. Na prática, é uma das que mais afeta a operação. Nomes ambíguos geram dúvidas sobre onde colocar um card. Fases demais travam o fluxo. Ordenação sem critério dificulta relatórios e torna automações confusas de manter.

A virada que resolve a maior parte dos problemas é simples: o nome de uma fase deve descrever o estado do card naquele momento, não a ação que acontece nela. Essa distinção muda como o processo inteiro é pensado e comunicado.

 

📖  O que você vai aprender aqui:

 

O erro mais comum: fases que descrevem ações, não estados

Quando alguém cria um pipe pela primeira vez, a tendência natural é nomear as fases como tarefas: "Analisar", "Aprovar", "Enviar", "Finalizar". Parece lógico porque é assim que descrevemos o trabalho em reuniões.

O problema é que uma fase no kanban não representa o que alguém está fazendo. Representa onde o card está. E "onde o card está" é sempre um estado, não uma ação.

Quando a fase se chama "Aprovar orçamento", não fica claro se o card está esperando aprovação, sendo analisado ou já aprovado. Quando se chama "Aguardando aprovação", não há ambiguidade: o card está parado ali até que alguém tome uma decisão.

 

A tabela abaixo mostra a conversão para o processo de onboarding de colaboradores:

Fases orientadas por ação (evitar)

Fases orientadas por estado (usar)

Analisar solicitação

Em análise

Aprovar orçamento

Aguardando aprovação

Enviar documentos

Documentação pendente

Configurar acessos

Acessos em configuração

Finalizar onboarding

Concluído

 

Teste rápido: leia o nome da fase em voz alta e complete a frase "O card está...". Se completar naturalmente, o nome está orientado por estado. Se soar estranho, provavelmente é uma ação disfarçada de fase.

 

Critérios para nomear fases com consistência

Além da orientação por estado, três critérios ajudam a manter a nomenclatura consistente ao longo de todo o pipe:

Clareza sobre responsabilidade. O nome da fase deve deixar implícito quem age ou quem espera. "Aguardando aprovação do gestor" é mais informativo que "Aprovação" porque deixa claro que o próximo passo não é do operador, é do gestor. O time sabe sem abrir o card.

Consistência de tempo verbal. Misturar "Em análise" com "Documentos enviados" com "Aprovar" dentro do mesmo pipe cria ruído visual. Escolha um padrão e mantenha: ou gerúndio (Em análise, Em configuração), ou substantivo (Análise, Configuração), ou participio (Documentação recebida, Acessos configurados). O padrão importa mais do que qual padrão.

Unicidade. Cada fase deve ter um nome que não confunda com nenhuma outra do mesmo pipe. "Revisão" e "Revisão final" parecem distintas, mas geram dúvida operacional constante sobre onde colocar cada card. Se você sente necessidade de adicionar "final" ou "novo" para diferenciar, provavelmente são a mesma fase ou uma delas não precisa existir.

 

Nomes de fase aparecem em relatórios, filtros e automações. Uma fase renomeada depois que automações estão ativas exige revisão manual das regras que referenciam aquele nome. Decida o padrão de nomenclatura antes de criar automações.

 

Descrição de fase: onde SLA e responsabilidade ficam documentados

Cada fase tem um campo de descrição que a maioria dos times ignora. É um erro: a descrição de fase é o único lugar onde SLA, responsável e orientação operacional ficam registrados de forma persistente, visíveis para qualquer pessoa que abrir o pipe, inclusive quem entrar no time depois.

O padrão recomendado pelo time de especialistas Pipefy define três elementos para a descrição de cada fase:

 

Elemento

O que registrar

Exemplo (fase: Documentação pendente)

SLA

Prazo esperado para essa etapa

SLA: 2 dias úteis

Responsável

Quem opera ou aprova nessa fase

Responsável: Analista de RH

Orientação breve

O que deve ser feito ou verificado

Solicitar ao colaborador o envio de RG, CPF e comprovante de residência pelo formulário.

 

Uma fase bem descrita elimina a necessidade de documentação paralela. Quem abrir o pipe e passar o cursor sobre a fase vê imediatamente: qual o prazo esperado, quem é responsável e o que precisa ser feito antes de avançar o card.

 

Exemplo completo para a fase "Documentação em análise" do onboarding:
SLA: 1 dia útil.
Responsável: Analista de RH.
Verificar se todos os documentos foram enviados corretamente. Caso algum esteja faltando ou ilegível, mover o card para Ajuste pendente e notificar o colaborador.

 

Descrições de fase com SLA têm um efeito colateral positivo: forçam a equipe a definir expectativas reais de tempo para cada etapa antes de lançar o processo. Times que nunca definiram SLA usam esse momento como primeira conversa sobre o que é um prazo razoável.

 

Quantas fases um pipe deve ter

Não existe número ideal fixo, mas existe um critério claro: cada fase precisa representar um estado distinto que muda quem é responsável, o que está esperando ou qual informação precisa ser coletada.

 

O consenso de quem constrói processos profissionalmente no Pipefy é manter entre 10 e 15 fases. Acima de 10, já vale avaliar a divisão do processo. Acima de 15, a manutenção começa a ser problemática.

 

O sinal de que há fases demais: o time começa a pular fases, mover cards por dois ou três estágios de uma vez ou criar cards diretamente em fases do meio do processo.

O sinal de que há fases de menos: cards ficam parados por muito tempo em uma única fase sem que seja possível entender em qual sub-etapa estão ou quem é o responsável. Isso geralmente aparece como uma fase chamada "Em andamento" que acumula tudo.

 

Fases de arquivo e cancelamento têm papel específico: são destinos finais para cards que saíram do fluxo normal. Separe visualmente o que está em execução do que foi concluído, arquivado ou cancelado.

 

Ordenação lógica: da triagem à conclusão

A ordem das fases deve refletir a sequência real de decisões do processo, não uma aspiração sobre como ele deveria funcionar. Dois padrões funcionam bem na prática:

Da triagem para a execução para a conclusão. A maioria dos processos começa com uma entrada (solicitação recebida, candidatura chegou, pedido aberto), passa por etapas de análise ou execução e termina em um estado final (concluído, cancelado, arquivado). Esse fluxo da esquerda para a direita é o que o time deve conseguir ler sem explicação.

Responsabilidade muda de coluna para coluna. Quando o card avança de fase, quem age muda. Se duas fases consecutivas têm o mesmo responsável fazendo o mesmo tipo de trabalho, a ordenação pode estar fragmentando uma etapa que deveria ser contínua.

 

No onboarding de colaboradores, a ordem funcional seria:

  • Solicitação recebida: entrada do processo, card criado pelo formulário
  • Documentação pendente: aguardando envio pelo novo colaborador
  • Documentação em análise: RH verificando o que foi enviado
  • Equipamentos solicitados: TI acionado para preparar o setup
  • Acessos em configuração: TI configurando sistemas e permissões
  • Concluído: colaborador integrado e processo encerrado

Cada transição muda o responsável ou o estado de espera. Não há fase que poderia ser removida sem perder rastreabilidade.

 

Antes de publicar o pipe, confirme:

☐  Cada fase descreve o estado do card, não a ação que acontece nela

☐  O padrão de tempo verbal é consistente em todas as fases

☐  Nenhuma fase tem nome que poderia ser confundido com outra

☐  Cada fase tem descrição com SLA, responsável e orientação breve

☐  Fases com o mesmo responsável e sem automação distinta foram consolidadas

☐  A ordem da esquerda para a direita reflete a sequência real do processo

☐  Há uma fase de conclusão clara e separada das fases operacionais